Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM): Uma Forma Grave de TPM
Introdução
O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é uma forma severa da síndrome pré-menstrual (TPM), caracterizada por sintomas emocionais e físicos que ocorrem exclusivamente na segunda fase do ciclo menstrual, desaparecendo com ou logo após o início da menstruação. É uma condição angustiante, incapacitante e frequentemente subdiagnosticada, que impacta significativamente as atividades diárias e o funcionamento geral da mulher.
Definição e Manifestações Clínicas
O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é uma forma grave de TPM, na qual os sintomas ocorrem regularmente e apenas na segunda fase do ciclo menstrual, desaparecendo com a menstruação ou logo após seu início (1). O humor é marcadamente depressivo, e a ansiedade, irritabilidade e labilidade emocional são pronunciadas (1). Pensamentos suicidas podem estar presentes, e o interesse nas atividades diárias é reduzido (1).
Em comparação com a síndrome pré-menstrual (TPM), o TDPM causa sintomas que são graves o suficiente para interferir nas atividades diárias de rotina ou no funcionamento geral (1). É um transtorno grave, angustiante, incapacitante e muitas vezes subdiagnosticado (1).
O TDPM envolve sintomas de humor e ansiedade claramente relacionados ao ciclo menstrual, com início durante a fase pré-menstrual e um intervalo livre de sintomas após a menstruação (1). Os sintomas devem estar presentes durante a maioria dos ciclos menstruais por todo o último ano (1).
As manifestações são semelhantes àquelas da síndrome pré-menstrual, mas são mais graves, causando sofrimento clinicamente significativo e/ou prejuízo acentuado no funcionamento social ou ocupacional (1). O transtorno pode começar a qualquer momento após a menarca; pode piorar com a aproximação da menopausa, mas cessa depois da menopausa (1). A prevalência é estimada em 3% a 8% das mulheres menstruadas (1).
O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual é classificado pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) como um subtipo de transtorno depressivo. Estima-se que, enquanto as queixas pré-menstruais gerais afetem aproximadamente 80% do público feminino durante as duas semanas antecedentes à menstruação, o TDPM acometa uma parcela de 8% das pacientes em fase reprodutiva, impondo sérios prejuízos funcionais e intensificação de ideação suicida.
Critérios Diagnósticos
Para o diagnóstico de TDPM, as pacientes devem apresentar ≥ 5 sintomas na semana que antecede a menstruação (2). Os sintomas devem começar a diminuir em alguns dias após o início da menstruação e tornar-se mínimos ou inexistentes na semana subsequente (2).
Para a elucidação diagnóstica, torna-se mandatória a manifestação de todos os quatro critérios afetivos listados a seguir:
- Oscilações de humor acentuadas (ex: sentir-se de repente triste ou chorosa).
- Irritabilidade ou raiva acentuada ou conflitos interpessoais intensificados.
- Humor deprimido ou Depressão acentuada, sensação de desesperança ou pensamentos de autodepreciação.
- Ansiedade acentuada, tensão ou sensação de nervos à flor da pele.
Além disso, ≥ 1 dos seguintes sintomas deve estar presente (2):
- Interesse diminuído em atividades habituais.
- Dificuldade de concentração.
- Baixa energia ou fadiga.
- Alteração significativa no apetite, comer em excesso ou desejos por alimentos específicos.
- Hipersonia ou insônia.
- Sensação de opressão ou de falta de controle.
- Sintomas físicos como dor à palpação ou edema de mamas, artralgia ou mialgia, sensação de estar empanturrado e ganho de peso.
Manifestações Clínicas e Epidemiologia
O quadro clínico do TDPM engloba um amplo espectro de perturbações que resultam em prejuízos interpessoais significativos nos múltiplos contextos de vida da paciente. As manifestações incluem tristeza, medo, insegurança, choro fácil, mau-humor e apatia. Adicionalmente, verificam-se distúrbios do sono (expressos por insônia ou hipersonia), alterações do trato digestivo, náuseas, acne, arritmias e déficit de concentração.
Observa-se um padrão epidemiológico dinâmico no qual tanto a TPM quanto o TDPM demonstram maior incidência de sintomatologia física em faixas etárias jovens e em adolescentes. Em contrapartida, as manifestações de ordem emocional tendem a se tornar preponderantes a partir da terceira década de vida (30 anos), embora tal cronologia não se aplique como uma regra universal.
Comorbidades e Diagnóstico Diferencial
O TDPM atua como um fator de amplificação psicopatológica severa. Pacientes diagnosticadas com comorbidades prévias — tais como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), distúrbios alimentares ou Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) — apresentam uma potencialização substancial das características intrínsecas a tais distúrbios, demandando intervenção clínica intensiva.
No âmbito do diagnóstico diferencial, quadros clínicos como a endometriose e o hipotireoidismo podem mimetizar a sintomatologia do TDPM. A distinção patológica fundamental reside no comportamento temporal dos sintomas: nessas afecções orgânicas, as manifestações clínicas permanecem contínuas, não cessando durante o período menstrual ou logo após o seu término.
Influências Ambientais e Nutricionais
Embora os fatores ambientais não atuem como agentes etiológicos primários no desencadeamento do Transtorno Disfórico Pré-Menstrual, eles operam de forma robusta no agravamento de suas expressões clínicas. De maneira análoga, padrões de alimentação inadequada exercem papel sinérgico na acentuação e na piora das manifestações físicas e emocionais do transtorno.
Referências Bibliográficas
- Jaffe R. The practice of electroconvulsive therapy: Recommendations for treatment, training, and privileging: A Task Force Report of the American Psychiatric Association. 2. ed. [s.n.]; Acessado em 11 de agosto de 2023.
- Dong C, Shi H, Liu P, et al. A critical overview of systematic reviews and meta-analyses of light therapy for non-seasonal depression. Psychiatry Res. 2022;314:114686. doi: 10.1016/j.psychres.2022.114686.
