Transtorno da Personalidade Narcisista: Critérios Nosográficos e Concomitâncias Clínicas


Introdução

O transtorno da personalidade narcisista define-se por um padrão pervasivo de grandiosidade, carência de empatia e necessidade premente de admiração, manifestado desde o início da idade adulta. Originado historicamente de constructos teóricos do final do século XIX que descreviam o direcionamento do desejo para o próprio corpo, o quadro cursa com disfunções interpessoais severas e apresenta frequente sobreposição diagnóstica com transtornos alimentares, abuso de substâncias e outras psicopatologias da personalidade.


Evolução Histórico-Conceitual

O constructo do narcisismo fundamenta-se na mitologia grega através da figura de Narciso, a qual ilustra o afogamento de um jovem decorrente da contemplação obsessiva de sua própria imagem refletida em um corpo d’água. No final do século XIX, o termo passou a ser formalmente incorporado à literatura científica por diferentes teóricos com o objetivo de designar uma conduta psicopatológica específica, na qual o indivíduo elege o próprio corpo como o objeto central de seu desejo e investimento libidinal.


Critérios Diagnósticos segundo as Diretrizes Nosográficas

Conforme os parâmetros estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), este transtorno é caracterizado por um modelo difuso de grandiosidade, manifestado tanto em nível de fantasias quanto em comportamentos observáveis, operando em conjunto com uma necessidade de veneração e uma incapacidade crônica de resposta empática. O diagnóstico clínico exige a identificação e a corroboração de cinco ou mais dos seguintes indicadores fenotípicos:

  • Percepção hipertrofiada da própria importância e valor pessoal;
  • Preocupação sistemática com constructos fantasiosos de poder, inteligência, beleza ou sucesso ilimitado;
  • Convicção subjetiva de infalibilidade, singularidade e de ser um indivíduo especial, o qual demanda associação restrita a indivíduos ou instituições de elevada condição socio-hierárquica;
  • Exigência pervasiva de admiração e reverência excessivas;
  • Expectativas irrealistas de receber tratamentos preferenciais ou o cumprimento automático de suas prerrogativas pessoais;
  • Exploração predatória nas relações interpessoais, instrumentalizando terceiros para a consecução de objetivos próprios;
  • Ausência de empatia, caracterizada pela incapacidade ou desinteresse em identificar e reconhecer os sentimentos e as demandas alheias;
  • Presença de sentimentos crônicos de inveja direcionados a outrem, em paralelo à crença de ser alvo da inveja alheia;
  • Manifestação de atitudes e comportamentos pautados pela arrogância, insolência e soberba.

Comorbidades e Concomitâncias Psicopatológicas

Na prática clínica, o diagnóstico do transtorno da personalidade narcisista frequentemente apresenta um curso concomitante com outras entidades nosográficas regulamentadas. Observa-se uma associação epidemiológica significativa com a anorexia nervosa e com os transtornos decorrentes do uso de substâncias. Adicionalmente, verifica-se a manifestação simultânea e sobreposta de outros transtornos da personalidade, especificamente os transtornos histriônico, borderline, antissocial e paranoide.


Referências Bibliográficas:

1-


Rolar para cima